Olavo Bilac

Colocado por paralaxe em Jan 27th, 2010 na(s) categoria(s) Biografias, Escritores, Imagens, Lusofonia, Vídeos. Pode seguir todos os comentários a este texto através de RSS 2.0. Pode comentar ou fazer trackback deste texto

Introdução


Introdução

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de Dezembro de 1865 — Rio de Janeiro, 28 de Dezembro de 1918) foi um jornalista e poeta brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL). Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.

Conhecido pela sua atenção à literatura infantil e, principalmente, pela participação cívica, era republicano e nacionalista. Bilac escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Em 1907, foi eleito “príncipe dos poetas brasileiros”, pela revista Fon-Fon. Bilac, autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos. No entanto, para o crítico João Adolfo Hansen, “o mestre do passado, do livro de poesia escrito longe do estéril turbilhão da rua, não será o mesmo mestre do presente, do jornal, a cronicar assuntos quotidianos do Rio, prontinho para intervenções de Agache e a erradicação da plebe rude, expulsa do centro para os morros”

Biografia


Biografia

Filho de Brás Martins dos Guimarães Bilac e de Delfina Belmira dos Guimarães Bilac, era considerado um aluno aplicado, conseguindo, aos 15 anos – antes, portanto, de completar a idade exigida – autorização especial para ingressar no curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (FMRJ), a gosto do pai, mas contra-gosto próprio, que era médico da então Guerra do Paraguai.

Começa a frequentar as aulas, mas o seu trabalho na redacção da Gazeta Académica absorve-o mais do que a sisuda anatomia. Do mesmo modo, no tempo de colégio, deliciara-se com as viagens que os livros de Júlio Verne lhe ofereciam à fantasia. No menino e no jovem já se manifestavam as marcas da sua paixão futura: o fascinante poder criador da palavra. Há relatos que contam que Olavo Bilac não concluiu o seu curso de Medicina devido à sua necrofilia. Bilac, segundo algumas fontes, tinha relações sexuais com os cadáveres da sua faculdade.

Bilac não concluiu os curso de Medicina e Direito que frequentou posteriormente, em São Paulo. Foi jornalista, poeta, frequentador de rodas de boémias e literárias do Rio. A sua projecção como jornalista e poeta e o seu contacto com intelectuais e políticos da época conduziram-no a um cargo público: o de inspector escolar.

A sua estreia como poeta, nos jornais cariocas, ocorreu com a publicação do soneto “Sesta de Nero” no jornal Gazeta de Notícias, em Agosto de 1884. Recebeu comentários elogiosos de Artur Azevedo, precedendo dois outros sonetos seus, no Diário de Notícias. No ano de 1897, Bilac perdeu o controlo do seu Serpollet e bateu contra uma árvore na Estrada da Tijuca, no Rio de Janeiro – RJ, sendo o primeiro motorista a sofrer um acidente automobilístico no Brasil.

Aos poucos, profissionaliza-se: produz, além de poemas, textos publicitários, crónicas, livros escolares e poesias satíricas. Visa contar através dos seus manuscritos a realidade presente na sua época. Em 1891, com a dissolução do parlamento e a posse de Floriano Peixoto, os intelectuais perdem o seu protector, Dr. Portela, ligado ao primeiro presidente republicano Deodoro da Fonseca. Fundado O Combate, órgão antiflorianista, e a instalação do estado de sítio, Bilac é preso e passa quatro meses detido na Fortaleza da Laje no Rio de Janeiro.

O grande amor de Bilac foi Amélia de Oliveira, irmã do poeta Alberto de Oliveira. Chegaram a ficar noivos, mas o compromisso foi desfeito por oposição de outro irmão da noiva, desconfiado de que o poeta era um homem sem futuro. O seu segundo noivado, com Maria Selika, filha do violonista Francisco Pereira da Costa, foi ainda menos duradouro. Viveu só, sem constituir família até ao fim dos seus dias.

Mas, como lendas e mitos amorosos cercam a história de todos os poetas, consta que Amélia se manteve-lhe fiel por toda vida, não se casando e depositando romanticamente um mecha dos seus cabelos no caixão do poeta.

Como não teve herdeiros, preferiu educar várias gerações de brasileiros escrevendo diversos livros escolares, ora sozinho, ora com Coelho Neto ou com Manuel Bonfim.

Sociedade


Participação cívica e social

Em 1907, já consagrado, o autor do Hino da Bandeira é convidado para liderar o movimento em prol do serviço militar obrigatório, já matéria de lei desde 1907, mas apenas discutido em 1915. Bilac desdobra-se para convencer os jovens a alistarem-se.

Em 1917, já no fim da sua vida, Bilac recebe o título de professor honorário da Universidade de São Paulo (USP). E talvez seja considerado um professor mesmo: dos contemporâneos, leitores das suas crónicas e ouvintes da sua poesia; dos que se formaram na leitura dos seus livros escolares; de modo geral, dos que até hoje são enfeitiçados pelos seus poemas.

Foi como poeta que Bilac se imortalizou. Foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros pela revista Fon-Fon em 1907. Juntamente com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, foi a maior liderança e expressão do Parnasianismo no Brasil, constituindo a chamada Tríade Parnasiana. A publicação de Poesias, em 1888 rendeu-lhe a consagração.

Discurso de 1907

Ao tomar a palavra no banquete-homenagem que lhe foi oferecido a 3 de Dezembro de 1907, Bilac enfatizaria o facto a sua figura ser representativa de toda uma geração:

“O que estais, como brasileiros, louvando e premiando nesta sala, é o trabalho árduo, fecundo, revolucionário, corajoso da geração literária a que pertenço, e o papel definido, preciso, dominante, que essa geração conquistou com o seu labor, para o homem das letras, no seio da civilização brasileira…

Que fizemos nós? Fizemos isto: transformámos o que era até então um passatempo, um divertimento, naquilo que é hoje uma profissão, um culto, um sacerdócio: estabelecemos um preço para o nosso trabalho, porque fizemos desse trabalho uma necessidade primordial da vida moral e da civilização de nossa terra..”

Principais Obras


Principais Obras

Entre outros escritos de Bilac, destacam-se:

* Através do Brasil
* Poesias (1888)
* Crínicas e novelas (1894)
* Crítica e fantasia (1904)
* Conferências literárias (1906)
* Dicionário de rimas (1913)
* Tratado de versificação (1910)
* Ironia e piedade, crónicas (1916)
* Tarde (1919) – Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957)
* Contos Pátrios
* Teatro Infantil
* Livro de Leitura
* Tratado de Versificação – em colaboração com Guimarães Passos
* Antologia poética
* Hino à Bandeira
* Língua Portuguesa, soneto sobre a língua portuguesa.

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o tom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O génio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac tradutor

Olavo Bilac traduziu as famosas travessuras de Max und Moritz de Wilhelm Busch, do alemão para o português: Juca e Chico.

Eventos


Representações na cultura

Olavo Bilac já foi retratado como personagem no cinema e na televisão. Na televisão foi interpretado por Rui Minharro na minissérie Chiquinha Gonzaga, transmitida pela Rede Globo em 2002. No cinema, foi interpretado por Carlos Alberto Riccelli no filme Brasília 18%, filme produzido pela Globo Filmes em 2006.


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