A letra “a”, além de ser a primeira letra e a primeira vogal do alfabeto, representa também outras entidades linguísticas. Uma delas é servir como artigo definido que antecede um substantivo, indicando referência precisa e determinada.
Um artigo definido é uma palavra variável em género e número que, anteposta a um substantivo, o determina.
Um substantivo é uma palavra que designa entidades concretas (pessoa, objecto, animal, etc) ou entidades abstractas (acção, estado, qualidade, etc).
Assim, quando nos referimos à quantidade “metade”, queremos significar uma das metades seguintes:
1) Uma quantidade precisa e determinada
Neste caso, fazemos referência a uma metade específica, que é perfeitamente conhecida.
2) Uma quantidade meramente matemática
Aqui, é referida uma quantidade não específica, que representa uma porção não definida da entidade concreta ou abstracta.
Exemplos:
“Metade dos lusófonos utiliza mal a Língua Portuguesa”
Considerando que o universo lusófono é composto por aprox. 250 milhões de pessoas, estamos a afirmar que 125 milhões de lusófonos escrevem e falam mal a língua de Camões (e de Pessoa, e de Olavo Bilac, e de muitos outros). Neste caso não identificamos os infelizes iletrados; estamos a fazer uma afirmação puramente quantitativa, matemática.
“A metade dos lusófonos utiliza mal a Língua Portuguesa”
Esta frase tem uma falha. Dado que estamos a utilizar o artigo definido “a”, é preciso que a metade seja explicitada porque ela está, à partida, definida.
Pessoalmente, não desejo enumerar os padecentes de iliteracia funcional; seria fastidioso, e extremamente incorrecto. Eu só quero mostrar que a metade é diferente de metade…






